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Sejam bem vindos ao site do Labrinjo! INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O BRINCAR E A BRINQUEDOTECA!
Quando nos referimos ao brincar, educação lúdica, formação lúdica, etc. Temos plena certeza de que são grandes os desafios que iremos enfrentar para que esta área possa ser considerada como geradora dos avanços científicos. Ao compará-la com outros setores (Medicina, Engenharia, Informática...), onde as inovações aparecem com freqüência, percebemos que nos últimos 50 anos pouco aconteceu, e os avanços ocorridos não chegaram a reverter o processo como um todo. É interessante observar que os acontecimentos marcantes que influenciaram a educação no decorrer da história não foram obras de educadores, basta verificar a formação de personalidades como Comênio, Rousseau, Froebel, Dewey, Montessori, Decroli, Piaget Wallon, Vygotsky e Gardner.
A grande maioria das instituições educacionais ainda é pautada numa prática que considera a idéia do conhecimento - repetição sob uma ótica comportamentalista, tornando o conhecimento cristalizado e/ou espontaneísta e não como um saber historicamente produzido visto sob a ótica do conhecimento-construção.
Educar não se limita a repassar informações ou mostrar apenas um caminho, aquele caminho que o professor considera o mais correto, mas é ajudar a pessoa a tomar consciência de si mesma, dos outros e da sociedade. É aceitar-se como pessoa e saber aceitar os outros. É oferecer várias ferramentas para que a pessoa possa escolher entre muitos caminhos, aquele que for compatível com seus valores, sua visão de mundo e com as circunstânias adversas que cada um irá encontrar. Educar é preparar para a vida.
Nesta abordagem do processo educativo a afetividade ganha destaque, pois acreditamos que a interação afetiva ajuda mais a compreender e modificar as pessoas do que um raciocínio brilhante, repassado mecanicamente. Esta idéia ganha adeptos ao enfocar o brincar no processo do desenvolvimento humano.
O brincar é uma necessidade do ser humano em qualquer idade e não pode ser vista apenas como diversão ou para passar o tempo. O desenvolvimento do aspecto lúdico facilita a aprendizagem, o desenvolvimento pessoal, social e cultural, colabora para uma boa saúde mental, prepara para um estado interior fértil, facilita os processos de socialização, comunicação, expressão e construção do conhecimento.
Estas questões nos remetem à problemática da formação do educador em especial nos alunos de graduação em Educação Física, Pedagogia e Psicologia, a qual passa por ambigüidades e paradoxos que nunca são efetivamente dissipados. Isto resulta, quase sempre, em dificuldades no campo da prática pedagógica. Então nos perguntamos:
“Afinal, o que é necessário para formar o educador?”
Sabemos que os cursos de licenciaturas têm recebido inúmeras críticas, especialmente no que se refere à sua ineficiência quanto à formação dos profissionais de educação infantil. É, hoje, questão de consenso que os egressos dos cursos de graduação nas áreas citadas anteriormente não estão suficientemente preparados para atender as necessidades das escolas e da sociedade, principalmente no que se refere à compreensão do brincar como conteúdo histórico-social capaz de desenvolver e construir o conhecimento infantil.
A questão é sempre recolocada e, apesar das reflexões teóricas a respeito do processo educacional, não se tem encontrado reversibilidade neste processo. Qualquer que seja o ângulo abordado sobre a realidade, há muito a ser repensado.
Fazendo um paralelo entre um quebra-cabeça e a formação do educador, pode-se afirmar que, enquanto o primeiro se completa com o encaixe de todas as peças, o segundo jamais se completará, pois a formação profissional não se acaba com o término de um curso, sempre faltará a peça seguinte.
A formação do educador não é um quebra-cabeça com recortes definidos, depende da concepção que cada profissional tem sobre a criança, homem, sociedade, educação, escola, conteúdo e currículo. Neste contexto, as peças do quebra-cabeça se diferenciam, possibilitando diversos encaixes.
Ao entender a educação como um processo historicamente produzido e o papel do educador como agente desse processo, que não se limita a informar, mas ajudar as pessoas a encontrarem sua própria identidade, de forma a contribuir positivamente na sociedade, e que o brincar tem sido enfocado como uma alternativa para a formação do ser humano, atualmente os cursos de graduação em Educação Física, Pedagogia e Psicologia deverão se adaptar a esta nova realidade.
Uma das formas de repensar os cursos de formação é introduzir na base de sua estrutura curricular um novo pilar: a formação lúdica.
Fotos feitas no Evento Dia do Brincar no LABRINJO-UFC
Na obra de Ayrton Negrine esta questão é analisada, onde o autor sugere três pilares que sustentariam uma boa formação profissional, com a qual concordamos inteiramente, pois os cursos de licenciaturas têm-se preocupado somente com a formação teórica e com a formação pedagógica.
A proposta de Negrine é que tenha também a formação pessoal que no nosso entendimento preferimos chamá-la de formação lúdica e criativa. Este tipo de formação é inexistente nos currículos oficiais dos cursos de formação do professor de educação física e dos educadores de forma geral, entretanto algumas experiências têm mostrado sua validade e não são poucos os educadores que têm afirmado ser o brincar uma proposta inovadora para educação neste milênio.
O brincar se assenta em pressupostos que valorizam a criatividade, o cultivo da sensibilidade, a busca da afetividade, a nutrição da alma, proporcionando aos futuros educadores vivências lúdicas, experiências corporais e motrizes, que se utilizam da ação lúdica, do pensamento e da linguagem, tendo no jogo, no brinquedo e na brincadeira sua fonte dinamizadora.
Neste sentido, a formação do educador, a nosso ver, ganharia em qualidade se, em sua sustentação, estivessem presentes os três pilares:
1. A formação teórica, 2. A formação pedagógica 3. E como inovação a formação lúdica.
![]() Oficina de construção de jogos e brinquedos
Quanto mais o adulto vivenciar sua ludicidade e seu brincar, maior será a chance de este profissional trabalhar com a criança de forma prazerosa, tranqüila e segura.
Fotos feitas no LABRINJO com os alunos da disciplina Estudos Teóricos e Práticos sobre o Brincar(Ano 2010.1)
Fotos feitas no LABRINJO com os alunos e o professor Marcos Teodorico vivenciando o Jogo Jungle Speed na disciplina Estudos Teóricos e Práticos sobre o Brincar (Ano 2010.1) Fotos feitas no LABRINJO com os alunos da disciplina Estudos Teóricos e Práticos sobre o Brincar(Ano 2010.1) A formação lúdica deve possibilitar ao futuro educador conhecer-se como pessoa, saber de suas possibilidades e limitações, desbloquear suas resistências e ter uma visão clara sobre a importância do jogo, do brinquedo e da brincadeira para a vida da criança, do jovem e do adulto.
O adulto que volta a brincar não se torna criança novamente, apenas ele convive, revive e resgata com prazer a alegria do brincar, por isso é importante o resgate desta ludicidade, a fim de que se possa transpor esta experiência para o campo da educação, isto é, a presença do jogo.
Com a criação Laboratório de Brinquedos e Jogos – LABRINJO, teremos uma alternativa para os cursos de formação de educadores que enfoca a ludicidade no adulto, na expectativa futura de um trabalho pedagógico mais envolvente junto à criança. Os quatro eixos de ações que serão apresentados neste documento é uma tentativa de inovar, transformar e oferecer algo mais aos nossos alunos da Universidade Federal do Ceará - UFC e em especial aos alunos de graduação e licenciatura em Educação Física. Teremos ações nos seguintes eixos:
1. Laboratório de testagem, análise e classificação de jogos, brinquedos e materiais lúdicos;
2. Bricarmóvel ( Ludobus); 3. Brinquedoteca de Pesquisa e lazer;
4. Museu da Criança de Jogos e Brinquedos.
O brincar e o Lúdico
O brincar é a essência da infância. Por isso, ao abordar este tema, não podemos deixar de nos referir também à criança.
Dentre as contribuições mais importantes destes estudos podemos destacar:
1. As atividades lúdicas possibilitam fomentar a "resiliência", pois permitem a formação do autoconceito positivo;
2. O brincar possibilita o desenvolvimento integral da criança, já que através destas atividades a criança se desenvolve afetivamente, convive socialmente e opera mentalmente;
3. O jogo, brinquedo e a brincadeira são produtos de cultura e seus usos permitem a inserção da criança na sociedade;
4. Brincar é uma necessidade básica assim como é a nutrição, a saúde, a habitação e a educação;
5. Brincar ajuda a criança no seu desenvolvimento físico, afetivo, intelectual e social, pois, através das atividades lúdicas, a criança forma conceitos, relaciona idéias, estabelece relações lógicas, desenvolve a expressão oral e corporal, reforça habilidades sociais, reduz a agressividade, integra-se na sociedade e constrói seu próprio conhecimento;
6. O jogo é essencial para a saúde motriz e mental;
7. O jogo simbólico permite à criança vivências do mundo adulto e isto possibilita a mediação entre o real e o imaginário.
Portanto, ao valorizar a implantação de um centro de estudos sobre o brincar em uma universidade, ainda a percebemos o lúdico como uma atividade natural, espontânea e necessária a todas as crianças, tanto que o BRINCAR é um direito da criança reconhecido em declarações, convenções e leis em nível mundial.
Por estas razões é que acreditamos que, no contexto da formação dos profissionais de educação física, pedagogia e psicologia, deveriam estar presentes disciplinas de caráter lúdico, pois a prática docente é reflexo da formação do indivíduo. Por isso, quanto mais vivências lúdicas forem proporcionadas nos currículos acadêmicos, mais preparado estes profissionais estarão para trabalhar com as crianças.
Para contribuir nesta abordagem, apresentaremos as diretrizes básicas de cada eixo de ação que iremos desenvolver no Laboratório de Brinquedos e Jogos - LABRINJO sobre o brincar, acreditamos que estes eixos permitirão aos futuros educadores aprender jogando para ensinar brincando. Este centro de estudos sobre o lúdico possibilitará que cada aluno de educação física possa analisar, discutir, refletir, polemizar e se posicionar em cada afirmativa referente ao lúdico ou brincar de forma segura, cientifica e educativa. Além de ser uma forma prazerosa de aprender.
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